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"meu deus, ele contaminou meu chocolate!"
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21/10/2009 - 20:23:49
protesto mudo (tipo greve de fome): este tuiter vai entrar em recesso e o http://cineorly.info. me encontrem em www.cineplayers.com about 8 hours ago from web @escutando mr pagu!!!!!!!!!!!!!!!!!! about 9 hours ago from web in reply to escutando mas a trilha - com pupilo e rica amabis - é bem legal: http://bit.ly/12g1dy about 11 hours ago from web gente, esqueci de dizer que ontem vi besouro, o filme, a lenda. aquele exú é o próprio transformer de carne e osso (socorro) about 11 hours ago from web no entanto perdi raoul ruiz e o tempo redescoberto no fórum de ciência e cultura. (será que nunca vou conseguir rever esse filme?) about 23 hours ago from web conheci o professor monteiro, da uff, de quem o @andymalafaya tanto fala. franco e querido. about 23 hours ago from web @jazzmanbrasil :| 9:13 PM Oct 19th from web in reply to jazzmanbrasil @jazzmanbrasil dá pra mim (o seu ingresso) dá pra mim! 8:59 PM Oct 19th from web in reply to jazzmanbrasil @andymalafaya agora que lembrei da aula de amanhã. como fas? ponto de encontro onde? 8:34 PM Oct 19th from web in reply to andymalafaya @SeRasgum bacana! avisem aí! 8:13 PM Oct 19th from web in reply to SeRasgum pessoal da @SeRasgum, tem como comprar online os ingressos pro festival? 8:04 PM Oct 19th from web aí galera, visão periférica: ATIVAR! 5:01 PM Oct 19th from web sem querer estragar a vibe de ninguém, mas críticos políticos são tão unilaterais em suas queixas quanto cavalos com blinkers. 5:01 PM Oct 19th from web RT @pedroivoeuzebio Hoje, Wado no Zozo - Praia Vermelha - Rio de Janeiro - 20h. Aos amigos do Rio: apareçam. 10:49 AM Oct 18th from web @jazzmanbrasil quem tem cu tem medo, mano velho. vumbora pro acre plantar jambú! 10:39 AM Oct 18th from web in reply to jazzmanbrasil @jazzmanbrasil mas tu sabe que nada nesses tramites força policial/militar + armas + governabilidade é impossível. 10:35 AM Oct 18th from web in reply to jazzmanbrasil @jazzmanbrasil nem sei a quantas anda o processo eleitoral carioca pra 2010 a ponto de quererem derrubar (literalmente) o governador. 10:34 AM Oct 18th from web in reply to jazzmanbrasil @jazzmanbrasil eu já achei essa coisa do helicóptero bem braba, mas não entendo tanto de geopolítica carioca pra dar uma opinião sobre 10:33 AM Oct 18th from web in reply to jazzmanbrasil ouvindo those dancing days ~dancing in the night, dancing through the days~ http://www.myspace.com/thos... 9:55 AM Oct 18th from web hahaha ontem à noite tinha gente falando como os camarões de distrito 9. culpa da lapa. 9:26 AM Oct 18th from web
Por http://twitter.com/geoeuzebio



21/10/2009 - 03:28:23
. RT @fernandomolica RT @E.Faustini RT @rubensvalente RT @FCGaristo Soldado morto em helicóptero ganhava R$ 1.182.about 2 hours ago from web 

  
  

 . Diga-me quem são seus followers e eu te direi quem és.about 9 hours ago from web 

  
  

 . Você é o que você tweeta. #VocêéOquêvocêComeJáEraabout 9 hours ago from web 

  
  

 . RT @olhardigital A "baleiada" geral de hoje tá explicada: Twitter ultrapassa a marca de 5 bilhões de Tweets: http://migre.me/9wFmabout 9 hours ago from web 

  
  

 . @LanBorges ;-)about 11 hours ago from web in reply to LanBorges

  
  

 . Essa é para os tuiteiros deprimidos:Se você pensa que ninguém liga se você está vivo ou morto,experimente ficar 2 meses sem pagar contas.about 11 hours ago from web 

  
  

 . @LanBorges Aqui (na caixinha de search do twitter, contei 26) dá uma olhada.about 11 hours ago from web in reply to LanBorges

  
  

 . Consciência limpa geralmente é sintoma de má memória.about 11 hours ago from web 

  
  

 . Autoria e Internet: Roubar idéias de uma pessoa é "plágio". Roubar de várias é "pesquisa".about 11 hours ago from web 

  
  

 . 100% dos que deram RT, ou seja, concordaram, que sabedoria é não misturar tomate com manga são homens.Isso diz muito a respeito das mulheresabout 11 hours ago from web 

  
  

 . Carta aberta de Sergio Cohn para César Oiticica Filho http://migre.me/9w5Kabout 12 hours ago from web 

  
  

 . Conhecimento é saber que o tomate é uma fruta. Sabedoria é não colocar tomate numa salada de frutas.about 12 hours ago from web 

  
  

 . A Metamorfose, do Kafka, adaptado por Peter Kuper, de Spy Vs. Spy, em flash: http://migre.me/9vONabout 13 hours ago from web 

  
  

 . Faça como o Hans Landa do filme Bastardos Inglórios: produza sua própria máscara de Christopher Walken - http://migre.me/9vMvabout 13 hours ago from web 

  
  

 . Se você tem interesse em viagem no tempo me encontre quinta-feira passada na esquina da Avenida Rio Branco. Estarei lá.about 13 hours ago from web 

  
  

 . RT @vitordiel Garotas, corram: RT @veja Mais gorda, mais baixa e mais fértil. Essa será a mulher do futuro http://bit.ly/1918muabout 13 hours ago from web 

  
  

 . Artistas gráficos americanos prestam tributo a "Onde Vivem os Monstros" http://migre.me/9vHPabout 13 hours ago from web 

  
  

 . O "DJ" Jesus Luz podia ir praticando aqui enquanto isso - http://migre.me/9vEEabout 13 hours ago from web 

  
  

 . Mais um separado pro #TrabalhoSujoDay2010 http://migre.me/9vDe . RT @mitsudiz "Me Perdi na Mesbla" podia ser o título de alguma música filme crônica.. vocês em casa já podem usarabout 17 hours ago from web 

  
  

 . O séc. 21 tenta chegar de vez, mas o séc. 20 não deixa. Agora são as lojas MESBLA que resolvem voltar: http://migre.me/9ukQabout 17 hours ago from web 

  
  

 . Alguém podia imaginar que iríamos acabar passando a maior parte de nossas vidas interagindo com uma máquina sem vida?1:36 AM Oct 20th from web 

  
  

 . @pernasproAr Recebi um via Ana. Respondi pra você. Recebeu? Estou muito animado.12:44 AM Oct 20th from web in reply to pernasproAr

  
  

 . Denovo: A insônia também tem quatro patas.12:38 AM Oct 20th from web 

  
  

 . @camargofernanda Teria 28. Tenho 38.12:36 AM Oct 20th from web in reply to camargofernanda

  
  

 . Para ler depois da sessão de "A Conversação", que passa agora na tv: http://migre.me/9sGT8:58 PM Oct 19th from web 

  
  

 . 5 minutinhos para começar "A Conversação", Palma de Ouro de 74 em Cannes. Coppola em seu melhor. Canal TCM 91.8:56 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Vir é ir. E vice versa.8:33 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Que idade você acha que teria se você não soubesse que idade tem?8:16 PM Oct 19th from web 

  
  

 . É Van Gogh, não é? Pois aproxime. Aproxime denovo. Aproxime mais ainda. E mais. Mais. Mais. Agora me diga: http://migre.me/9rxl4:25 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Pensando que quando tive o prazer de estar com o pai de Francis Cobain, ela era assim: http://migre.me/9rsH Agora... http://migre.me/9rul4:15 PM Oct 19th from web 

  
  

 . @ThalitaReboucas Vou estar lá do dia 11 até o dia 15. Como escritor e como DJ sim. E vamos nos ver por favor mais "sim" ainda!4:09 PM Oct 19th from web in reply to ThalitaReboucas

  
  

 . Frances Bean Cobain, fiha de Kurt Cobain, já é uma mulher... uma twitterira... e uma barraqueira. http://migre.me/9rnL4:00 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Conecto, logo existo? Digite o seu nome e descubra quem você é. http://migre.me/9rkB3:50 PM Oct 19th from web 

  
  

 . E se Jesus Cristo entrasse na onda dos Bastardos Inglórios? http://migre.me/9rhU3:43 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Edgar Allan Fucking Poe. Intense as shit. http://migre.me/9rgm3:39 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Que horas são mesmo? http://migre.me/9r8k3:18 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Utilidade pública masculina. Aqui, para comprar um presente pra ela, basta saber suas cores favoritas: http://migre.me/9r7q3:16 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Destrate gatos pra você ver só: http://migre.me/9r6d3:11 PM Oct 19th from web . É. Tem dias que tirar uma mulher da cama é uma história. - http://migre.me/9r4A3:07 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Where the Wild Things are - http://migre.me/9qZU2:54 PM Oct 19th from web 

  
  

 . "A Conversação", 1974, é a Palma de Ouro mais celebrada da história do Festival de Cannes. Raramente passa na telinha.2:49 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Hoje é dia de parar tudo, sentar em frente a tevê, e acompanhar, às 22h, "A Conversação", obra máxima do F.F.Coppola. Canal TCM 91.2:46 PM Oct 19th from web 

  
  

 . @ThalitaReboucas Que maravilha,Thalita. Há ainda a possibilidade de eu fazer uma festinha só para escritores.Tomara que nos encontremos lá.1:58 PM Oct 19th from web in reply to ThalitaReboucas

  
  

 . RT @netmovies Filme mais caro da história do cinema espanhol inicia carreira internacional - http://vqv.me/5J1:09 PM Oct 19th from web 

  
  

 . A Feira do Livro de Porto Alegre 2009 já tem um twitter @feiradolivropoa , em breve, outro só c os autores, direto da sala que dá pro Guaíba1:06 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Confirmando a participação na Semana de Literatura Digital na Feira do Livro de Porto Alegre, dias 11 e 13 de Novembro. http://migre.me/9qng1:04 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Chega de Saudade. Nelson Rodrigues jumps the gun. Daqui pra frente tudo vai ser diferente.12:57 PM Oct 19th from web 

  
  

 . "Nelson Rodrigues jumps the gun, Nelson Rodrigues jumps the gun..." Hélio Oiticica ao ouvir pela 1a vez o Álbum Branco dos Beatles.12:47 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Fotógrafos literalmente tiram onda. - http://migre.me/9q9x12:23 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Projeto melhores dedicatórias em livros - http://migre.me/9q5112:06 PM Oct 19th from web 

  
  

 . Obrigação única de um livro decente: http://migre.me/9q3A12:02 PM Oct 19th from web 

  
  

 . London Calling(Clash),Screamadelica (Primal Scream),Corruption & Lies(New Order) etc viram selos postais na Inglaterra. http://migre.me/9pXt11:42 AM Oct 19th from web 

  
  

 . Marlene Dietrich - Falling in love again http://migre.me/9pV9 #musicmonday11:34 AM Oct 19th from web 

  
  

 . Elvira Pagã e Rosina Pagã - ‘Não Beba Tanto‘ http://migre.me/9pUn #musicmonday11:31 AM Oct 19th from web 

  
  

 . Pra que discutir com madame? http://migre.me/9pTA #musicmonday11:28 AM Oct 19th from web 

  
  

 . Otis Redding - Pain in my heart http://migre.me/9pRM #musicmonday11:22 AM Oct 19th from web 

  
  

 . Caldato apresentando o samba canção aos Beastie Boys. http://migre.me/9pR5 #musicmonday11:20 AM Oct 19th from web 

  
  

 . Se beber não telefone? - Novo aplicativo do Iphone dirige o seu carro por controle remoto. http://migre.me/9pD8 Com vídeo.10:42 AM Oct 19th from web
Por www.twitter.com/dodoazevedo



27/8/2008 - 00:43:22
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Por Danielle Vidigal



25/8/2008 - 19:26:36
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Por Danielle Vidigal



7/8/2008 - 19:34:35
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Por Danielle Vidigal




19/12/2005 - 02:07:16
Ninguém mais me liga de madrugada
<i>Take me down little Susie
Take me down
I know you think you’re the Queen of the underground
And you can send me dead flowers every morning
Send me dead flowers by the mail
Send me dead flowers to my wedding
And i won’t forget to put roses on your grave</i>


E foi numa Quarta feira que ela parou de mandar flores mortas.
Todos os dias, desde aquela noite, que ela deixava um ramo de flores mortas na porta de meu apartamento. Eu nunca descobri como ela fazia, como podia se esgueirar feito um gato pelos corredores sem ser vista. Mas também não me importei muito em descobrir. É fato que a descoberta das coisas como elas são na realidade faz com que percam sua magia.

Assim como quando eu descobri quem era ela.

Dezessete anos, eu gritava. No meio do quarto. Mão na cabeça. Rodando. Tudo mais ao meu redor rodava, um redemoinho de pensamentos com lampejos de um terror incompreensível. E ela ria. Sua risada rodava, som e imagem. Deitava e rolava na cama, rindo. Blusa branca, saia preta, meias até a metade da perna e tênis, aparentando a adolescente que era. E eu gritava. Dezessete anos! Rodava.

Aquela mulher que se aproximou de mim sob a luz vermelha, com o que parecia uma pinta sobre o lábio, no lado direito do rosto, parecia muito certa do que queria. Me ofereceu um gole de sua bebida, algo com Vodka dentro de uma garrafa, algo não muito forte, um pouco doce até. Me encarava e sorria com um pouco de escárnio, me desafiando. E eu sabia o que ela queria. Bebi no gargalo sem tirar os olhos dela. Devolvi a garrafa, ela pegou como se quisesse também levar consigo meus dedos, coloquei minha outra mão em sua cintura e a puxei para mim. Sua mão no meu peito me impediu. Tomou o último gole da bebida, atirou-a no lixo, e a mão que impedia, agora acariciava. Desafiou-me de novo, colocando a língua para fora. Eu continuava com sede. Puxei-a para mais perto, sentindo nela ainda o gosto doce daquele último gole.

Ela ria e me olhava divertida. Qual é o problema disso, me perguntava. Não foi a primeira vez e nem você foi o primeiro. Só sei que foi diferente, e por isso estou aqui. Só achei que você devia saber. E imaginava as grades de uma cadeia se fechando, uma cela cheia de homens carrancudos me olhando como se a diversão finalmente houvesse chegado. Sabe o que eles fazem com quem abusa de crianças na cadeia? Uma voz repetia incessantemente. Sabe!????
Rindo e rindo, me dizia que não era mais criança e que sabia que eu a amava e que a queria de novo. Dizia com tanta certeza que me fez acreditar. Me disse com tanta certeza que me fez deitar ao seu lado. Com tanta certeza que me fez abraça-la e beija-la. Tanta certeza de tirar sua roupa com um misto de calma e agonia. Certeza de que eu queria tê-la naquela tarde novamente como a mulher que havia dentro da menina.

Ao redor garrafas de cervejas, roupas espalhadas e o travesseiro jogado no chão, junto com um sapato que não era meu. Ao meu lado seu corpo meio coberto pelo edredon, meio nu. A pele branca e lisa como uma tela, o leve movimento de sua respiração, olhos fechados, os lábios levemente tortos para baixo. Não parecia mais a forte mulher que havia me feito perder a cabeça na noite anterior. Notei a saia xadrez, meio grunge pendurada na cadeira em frente ao computador. Tirei seus finos e compridos cabelos pretos dos olhos borrados de preto. Foi quando eles se abriram e os vi pela primeira vez. Ou pelo menos, pela primeira vez em que poderia lembrar de tê-los visto. Levantou-se assustada, sentou-se tentando despertar, coçando os olhos. Deixando a mostra dois pequenos seios, lindos, aveludados, quase sem auréolas, quase sem... os cobriu com o edredon enquanto sorria ao me ver admirando-os.

No dia seguinte acordei e ela não estava mais lá. Talvez ainda tonto pelo sono jurei ter ouvido a porta se fechando e saí de cueca no corredor, pensando que a alcançaria, mas ao invés disso pisando em algo seco que fora colocado na porta do apartamento. Vi as flores mortas enroladas num pedaço de papel, que seria branco não fosse o sangue que saia do meu pé por culpa de um espinho. Sentei-me em frente ao computador e comecei a escrever, tentando transformar em palavras todos aqueles sentimentos. Tentando entender quem era aquela garota. Foi quando comecei a escrever nossa história.

Susie, ela me disse. E eu sou a rainha do underground. E sorriu. Sorria muito pois tinha um lindo sorriso, e sabia disso. Assim como sabia o quanto era bonita e inteligente. Se não fosse, jamais me enganaria. Levantou-se nua e deixou que eu a olhasse. Procurou cada peça de roupa e vestiu demoradamente, como um strip-tease ao contrário. Sabia o quanto isso também podia ser excitante. Vestiu por fim suas botas de plataforma e cano alto. Viu as horas no celular e o sorriso sumiu do seu rosto. Confirmou a hora e pareceu preocupada. Apertou uma tecla e esperou que alguém atendesse.
Onde você está? Eu perdi a hora. Ah é? Show! Então vou praí. Se alguém ligar, principamente minha mãe, diz que to no banho, inventa alguma coisa, sei lá, tchau. Tenho que ir. Me derrubou na cama com um beijo e saiu porta afora.

Naquela madrugada o telefone tocou.
Atendi sonolento e reconheci sua voz dizendo que estava apaixonada e que eu era um escroto por ter feito isso com ela. Eu não soube o que dizer, a não ser que eu também estava.

Durante as tardes ela vinha até meu apartamento e conversávamos sobre tudo. As vezes ela pegava um livro da estante e lia durante a tarde toda enquanto eu escrevia. Dizia que o barulho do teclado a acalmava. Lia até cair no sono. As vezes transávamos a tarde toda e não trocávamos uma única palavra. No meio da madrugada ela me ligava e falava baixo para não acordar o resto da sua casa. Me falava de seus pais, de seu irmão, de sua vida, da vida que queria para si e do quanto achava que o tempo passava devagar quando se é tão jovem e não se tem a menor idéia do que virá por diante. Falava e falava enquanto eu ouvia, até que estivesse prestes a amanhecer, então desligava, e eu dormia o melhor sono da minha vida. E toda manhã eu encontrava as flores mortas.

Uma hora aquilo ia acabar. Eu sabia disso. Eram 8 anos de diferença que pesavam sobre minha cabeça e meus ombros. Quanto mais a queria perto de mim, mais sabia que ela se afastaria e que toda aquela paixão morreria, como as flores que ela me mandava todos os dias.

Confesso que tive medo, principalmente no começo. Medo do quê. Não sei. Mas tinha. E ela passou a levar os livros para terminar em casa, passávamos mais tempo lendo e trepando e toda a noite conversávamos até o sol raiar. E o medo foi passando. Ela fazia com que eu me sentisse bem, sentisse seguro. Quem diria, logo ela, uma menina que nada sabia de nada. Que nada sabia de mim. Talvez fosse aquela doce inocência de quem ainda não sabe o quanto a vida pode ser dura. Nunca descobri onde ela morava e ela nunca quis me dizer. Dizia apenas que era melhor que eu não soubesse.

Numa madrugada o telefone tocou e não foi sua voz que disse alô. Foi uma voz de mulher. Perguntou meu nome e de onde eu falava. Respondi metade da primeira e questionei o porquê da segunda pergunta. Desligou. E naquele dia Suzie não ligou. Apareceu chorando na tarde seguinte, com o rosto vermelho, e pediu para que eu a abraçasse. Chorava enquanto minhas mãos acariciavam seus cabelos pretos macios. Dormiu soluçando como um bebê cansado de tanto chorar, eu a abracei e passamos a tarde assim. Notei que seu celular estava desligado e achei melhor não perguntar nada. Não queria embora naquela noite. Eu pedi que ficasse, mas como se enfrentasse um destino cruel e inadiável, se foi.

Eu a olhava nua, deitada ao meu lado e sentia uma estranha paz. Despudoradamente linda em seu sono despreocupado, ressonando calmamente e as vezes tremendo, como se uma libélula rapidamente tocasse na plácida superfície de seus sonhos. Nem em meus dias mais estranhos me imaginei vivendo uma situação dessas. Eu a olhava e imaginava se aquela garota não era alguma espécie de anjo enviada por alguma espécie de Deus para me salvar. Um anjo caído. A rainha do underground.

Me ligou mais cedo do que o normal e me pediu, quase sussurrando, que contasse minha história. Disse que era melhor ficar quieta, e que era minha vez de falar. Contei-lhe tudo sobre minha infância difícil, as surras de meu pai, as bebedeiras de minha mãe. Falei sobre o acidente que matou minha irmã e como isso me fez, aos 16 anos, sair de casa. Descrevi os lugares por onde passei, a forma que encontrei para viajar de graça de um lugar a outro. Falei do exército e da prisão, um ano em um e três meses em outro. Falei de como era importante para mim escrever e deixar cada traço do meu passado registado em algum lugar. Ouvi-a chorando quando lhe contei como descobri sobre a morte de meu pai e encontrei minha mãe louca num hospício cinco anos depois que saí de casa, e como desde então passei a dar importância a eles. Tarde demais claro. Confessei como isso fez com que eu me acalmasse e mudasse de vida, passando a viver exclusivamente do que eu escrevia. Quando já não havia mais nada para dizer, nem a voz para tal, ouvi uma gritaria do outro lado do fone e a linha caiu. Desesperadamente tentei ligar para seu celular, que parecia estar desligado. Não tinha o telefone da sua casa. Passei o resto da noite acordado esperando que ela ligasse. Nada.

Uma semana se passou.
Esperei o pior. E esperei algo pior ainda, que ela houvesse, finalmente, me esquecido. Horas intermináveis esperando uma notícia. Caminhei pelas ruas buscando seu rosto. Por várias noites voltei ao lugar onde nos conhecemos, esperando encontrá-la. Deixei centenas de mensagens. Nada. Nenhuma mensagem na secretária eletrônica, carta, bilhete, sinal de vida. A única coisa que me dava alguma esperança eram as flores mortas, que todos os dias apareciam na minha porta, sem que ninguém visse quem as depositava lá.

Na terça a noite ela finalmente apareceu na minha porta. Diferente. Carregando uma mochila, profundas olheiras e uma fisionomia que não mais lhe dava a vivacidade de uma garota de dezessete anos. Ela está partindo, pensei. Sorriu melancólica e me abraçou. Seus lábios procuraram o meu. Não disse nada, apenas me levou para dentro e trancou a porta. Foi nossa última noite. Não a vi indo embora, nem a hora em que isso aconteceu.

Na quarta-feira de manhã encontrei as últimas flores mortas. Junto, um bilhete de despedida, me agradecendo por ter salvado sua vida. Não havia o que fazer, era algo que não havia como impedir. Susie tinha que ir, era o seu momento, era a sua vez. O corredor, a porta branca manchada de preto, os cento e doze degrais, o tapete velho e marrom da recepção, a porta verde, a calçada quebrada a rua e o longo caminho até o horizonte. Talvez um dia voltasse, mas quando se faz uma escolha como a que a aquela menina, agora mulher, fizera, raramente se consegue voltar para o que era antes. Guardei o bilhete e as flores fechei a porta, senti sede e passei a língua pelos lábios sentindo o doce gosto daquele último beijo.
Por Paulo F.

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